sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Como passar uma semana sem narinas funcionais?

É verdade, não há Neo-Sinefrina que me valhe, vou mesmo acabar a semana literalmente de "boca aberta".

Estar constipada até aos dentes tem os seus contras, mas também tem prós.

Então, não dá para respirar pelo nariz, o que desde logo dá imenso jeito para comer, visto que ver-me comer, neste momento, se assemelha a uma experiência no zoo, não dá para fechar a boca, por isso a assistência tem acesso a todo um novo mundo de visões. Para além disso, a comida sabe a nada, a pão sem manteiga, logo até para mim é uma experiência enriquecedora, jogar ao jogo do vamos imaginar que isto tem este ou aquele sabor. Assim, um dia em que eu tenha que comer um alimento que saiba muito mal, mas que tenha mesmo que o comer (jantar com chefes ou potenciais clientes milionários) posso sempre imaginar que é esparguete com bacalhau e grão, por exemplo. Um bom exercício.

Outra coisa interessante é a capacidade zero de cheirar o que quer que seja. Posso usar a mesma camisola quatro dias seguidos, e não estou a dizer que o fiz, e fico contente ao fim desses dias porque não cheiram a nada! Nem a refogado, nem a gente, nem a nada. Não está mau. Outra dia as fitas das minhas calças estavam a arder na braseira e se não fosse a minha mãe, ardia também o resto, porque para mim nunca cheirou a queimado.

Outra coisa é a maneira de falar. Ontem repeti a palavra jumento cerca de 10 vezes, visto que o M. achava muita piada à sonoridade da própria. E havia mais palavras, todo um repertório para fazer rir a assistência, qual espectáculo do Quim Roscas e do Zeca não sei o quê.

Ah! E o amigo Brufen! Como poderia não falar dele. Toma-se o dito, espera-se uma meia horinha e aqui vamos nós. O que eu sei é que fui fazer exame sob o seu efeito e mais não sei. Acho que correu bem, mas na verdade não me lembro bem das perguntas e sei mais ou menos o que respondi. Ir àquele exame foi também uma saga para não me assoar, para não incomodar os meus coleguinhas, o que fez com que o professor achasse que eu estava a copiar, porque estava sempre a pegar silenciosamente no lenço para semi-quase-nada.


É assim que se passa sem narinas funcionais: curte-se o Brufen à grande, vivem-se novas experiências e diverte-se os demais falando com a mola no nariz, sem a mola no nariz. Toda uma nova experiência de sentimentos, cores e sabores, a viver num Inverno perto de Si.




PUNTO E BASTA

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